Iniciando…

28/06/2009

Apresentação

O Grupo de Pesquisa sobre Ética na Educação (GPEE) foi fundado em 2003 por professores pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e se acha registrado no Diretório dos Grupos de pesquisa do CNPq.

Na medida em que um grupo de pesquisas é um espaço plural caracterizado pela livre circulação de idéias, nossos trabalhos investigativos se desenvolvem a partir de abordagens teórico-metodológicas diferenciadas que buscam somar e não dividir esforços no sentido de pensar e oferecer alternativas para enfrentar os desafios éticos da atualidade. Nessa perspectiva, três grandes referenciais balizam nossas pesquisas.

Os estudos desenvolvidos pelo professor Renato José de Oliveira, coordenador do grupo, têm como suporte a Teoria da argumentação ou Nova retórica desenvolvida na metade do século passado por Chaim Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca. Esta possibilitou renovar a visão acerca da questões argumentativo-teóricas, passando o discurso a ter outra importância no pensamento filosófico. A retórica – antes tratada como lógica de segunda categoria ou linguagem charlatã – passa a ser vista como negociação de distâncias entre sujeitos que apresentam argumentos e razões. Em vista disso, deixa de ser vista somente como disputa entre interlocutores. Quem fala ou escreve (orador) apresenta teses a um auditório que as recebe e avalia.

Na obra intitulada Tratado da Argumentação, Perelman e Olbrechts-Tyteca, inauguraram essa nova perspectiva acerca da retórica, nela aparecendo tipificações de argumentos, figuras de linguagem (que passam a ser vistas como elementos argumentativos e não somente como apetrechos estilísticos), lugares (topoi) que se caracterizam como premissas de ordem geral que fundamentam os diferentes argumentos e demais elementos cruciais para a análise de qualquer discurso. Os autores, por sua vez, se colocaram como defensores de uma ética construída e mantida pela negociação entre indivíduos em um determinado contexto, uma ética argumentativa.

O professor Renato investigou a influência dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) sobre o tratamento dado à ética por projetos político-pedagógicos de escolas de Ensino Fundamental situadas no município do Rio de Janeiro e, atualmente, investiga que valores éticos/morais estão presentes na visão de mundo de alunos das séries terminais do Ensino Fundamental, tendo também como referência escolas localizadas na mesma cidade.

A professora Maria Judith Sucupira da Costa Lins, vice-coordenadora do grupo, trabalha a partir das contribuições de Alasdair McIntyre, filósofo escocês radicado nos Estados Unidos que desenvolve pesquisas sobre a ética ligada à filosofia e à sociologia, com origem nos estudos de Aristóteles, mas construindo uma teoria original. Preocupado com o fazer filosófico inserido no contexto social, MacIntyre denuncia a desordem moral existente nas sociedades e analisa as possíveis causas que teriam sua raiz no Emotivismo. Suas pesquisas apontam para as virtudes como possibilidade da vivência ética. A publicação de sua obra “Depois da Virtude” (1981) foi considerada um divisor de águas nos estudos sobre ética e moral. MacIntyre discute as principais idéias ao longo da história da ética procurando entender a contribuição de cada uma das grandes teorias e os principais motivos do fracasso destes modelos.

As pesquisas desenvolvidas pela professora Maria Judith são diretamente voltadas para a educação nas instituições escolares e tiveram como público alvo os professores de ensino médio que trabalham na formação de professores das primeiras séries do Ensino Fundamental, a indagação sobre a maturidade ética de adolescentes e a comparação de diferentes experiências curriculares nas primeiras séries do Ensino Fundamental.

Buscando compreender as relações entre ética e estética, a Professora Monique Andries Nogueira, chefe do Departamento de Didática da Faculdade de Educação da UFRJ, desenvolve suas pesquisas com base em Theodor W. Adorno. Para este pensador, que foi exilado nos Estados Unidos, a indústria cultural encarnava uma ideologia de massificação, de “standardização” da população, ditando seus gostos. O próprio gosto, aliás, deixaria de ser algo construído a partir da absorção do produto cultural pelo indivíduo, algo internalizado primeiramente, para se tornar algo coletivo e exterior, movendo a massa para direções pré-estabelecidas e convertendo-a em verdadeira “massa de modelar”, além de promover a comercialização exacerbada da arte, deixando-a vazia esteticamente. A música da atualidade ou a música de sucesso era para Adorno o maior exemplo desse vazio estético, configurando-se em mercadoria a ser vendida/consumida como um enlatado.

A crítica de Adorno mostra, portanto, como a indústria cultural “aluga” a felicidade do infeliz homem moderno, a felicidade fugaz que necessita apenas de casca e não de recheio. O filósofo aponta, ainda, o próprio esvaziamento do termo estética, o qual passa a ser mais utilizado como sinônimo de beleza superficial, como roupagem das produções e não mais como o conjunto desde a criação à exposição da cultura, da arte.

A professora Daniela Patti do Amaral, vinculada ao Departamento de Administração Educacional da Faculdade de Educação da UFRJ, investiga questões ligadas à formação de professores e aos projetos de lei, apresentados por parlamentares no âmbito do Congresso Nacional, que versem sobre ética, cidadania e ensino religioso na educação escolar. Suas análises também têm como referência teórico-metodológica a Teoria da Argumentação de Perelman e Olbrechts-Tyteca.

Os demais membros do grupo são alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFRJ, egressos dele ou pesquisadores convidados.


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18/06/2009

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